segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Os jovens e a verdadeira alegria


Certa vez, indo S. Francisco com Frei Leão de Perúgia a Santa Maria dos Anjos, num dia frio e chuvoso de inverno, perguntou Francisco ao seu companheiro o que constituía para eles sentir a mais perfeita alegria. Seria dar exemplo de grande Santidade, dar audição aos surdos, voz aos mudos, pés aos aleijados, ter conhecimento de todas as escrituras e saber falar todas as línguas? Constituiria isso para eles a verdadeira alegria? Não, disse Francisco. E continuou: «se ao chegarmos cheios de frio e fome e muito cansados à Santa Maria dos Anjos e escolhêssemos uma porta e nela batêssemos e fôssemos insultados, mandados embora, e nós não nos perturbássemos com a injúria e nos mantivéssemos pacientes, alegres e cheios de amor, isso sim seria ter em si a verdadeira alegria. E numa segunda e terceira vez batêssemos à mesma porta e fôssemos igualmente maltratados e da mesma maneira nos mantivéssemos serenos e cheios de amor, isso sim constituiria a verdadeira alegria».
Diz-se que os jovens são propensos à alegria e que sobretudo os de hoje, não podem viver sem festas. Estas características da vida juvenil devem ser vistas de forma positiva.Todavia, o jovem cristão é convidado, como o frei Leao o foi, a fazer a descoberta da «verdadeira alegria», que não se confunde, por exemplo, com uma satisfação pessoal de um gosto particular. A verdadeira alegria, por mais estranho que pareça, tem a forma de cruz e a cruz nasce do amor que se sacrifica para o bem e felicidade do outro. S. Francisco, porém, vai mais longe, dizendo que ele é capaz de encontrar alegria até no sofrimento que os outros lhe causam, como se vê da explicação que ele dá a frei leão. Ele aprendeu isso com S. Paulo que dizia: «toda a minha gloria (a minha alegria e a minha felicidade,) está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo».
Quem não luta contra o próprio egoismo não chega à verdadeira alegria. Quem apenas vive para realizar os seus próprios sonhos e não se importa com tantos outros que não têm essa possibilidade, nunca poderá saborear a verdadeira alegria que «está mais em dar do que receber». Aliás, «é dando que se recebe». Aqui está pois, o segredo da verdadeira felicidade.
Penso que os jovens que procuram seguir, na vida, os ideiais de S. Francisco, falharão o alvo se não buscarem conhecer este segredo. E o tempo quaresmal (de preparação para a Pascoa) é um tempo ideal para aprender esse segredo.

in Boletim PAZ e BEM por:
Frei António Fidalgo
S. Vicente